Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 1) [Atualizado]


Bem disse Amyr Klink sobre a experiência de viajar, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

No caso dos fotógrafos, viajar não apenas deve ser visto como uma experiência profissional, mas também pessoal. Um conselho poderoso: gaste menos dinheiro com câmeras ultra-sofisticadas e lentes luminosas, ou carros e hotéis de luxo. Dedique-se a viajar. Ao retornar de viagem você saberá mais sobre você mesmo e esta experiência ninguém poderá tomar de você. E acredite: um dia ela lhe será bastante útil.

Como fotógrafo viajante, atualmente em temporada pelo Chile, dou 5 dicas para os colegas que pretendem expandir seus conhecimentos. Se você não é fotógrafo profissional, não se preocupe. Estas dicas valem para você também.

1. Abra sua mente

Antes de viajar, seja para um país, estado ou mesmo a cidade vizinha, sempre buscamos reunir o máximo de informações possíveis através de amigos, guias de viagens, pesquisas na internet, etc. É claro que você irá querer fotografar os lugares clássicos. Se vai a São Paulo certamente irá querer fotografar a Avenida Paulista e o Mercado Municipal. No Rio de Janeiro irá querer registrar Ipanema, o Cristo Redentor, etc. No Chile irá querer subir ao Valle Nevado e capturar as pessoas descendo a montanha velozmente com seus skis.

Não há mal nenhum nisso, dedique alguns dias para os pontos turísticos clássicos, afinal você não irá querer voltar da viagem sem conhecê-los. Mas depois disso, “esqueça” o mapa no hotel e abra a sua mente. Entre por ruas e becos, sente-se num café despretensiosamente e aguarde. É melhor dedicar mais horas a um único local que vários locais em poucas horas. Você irá perceber que há uma uniformidade de pessoas e comportamento pelo local. Então espere a melhor luz e movimento e faça a sua foto. Você terá então um registro do que é real, da cultura e do cotidiano do lugar.

2. Desenvolva o seu olhar

Antes de partir, pesquise. Visite sites de fotógrafos locais, pesquise no Flickr, Google ou outro banco de imagens. O objetivo não é copiar, mas buscar referências e novos olhares sobre os temas propostos. Vai a Paris? Todos irão fazer fotos da Torre Eiffel. Mas nem todos olham para a torre da mesma maneira. Vale a pena descobrir qual enquadramento mais se aproxima do seu olhar.

3. Observe as pessoas locais

Fuja dos turistas e observe para onde os residentes caminham. Onde almoçam (lembre-se que a gastronomia diz muito sobre uma cultura), onde bebem cerveja no final do expediente. Eles não estarão nos circuitos frequentados pelos turistas. Se possível, converse com eles. Garçons, taxistas e vendedores ambulantes são ótimos pontos de partida para saber mais sobre a cidade e a cultura. E eles adoram conversar! Certamente não lhe darão as melhores dicas, mas você ganhará mais confiança sobre o uso do idioma ou sotaque e gírias do local.

Depois tente contato com aquele casal simpático que está sentado numa mesa ao lado da sua. Deixar o equipamento fotográfico à mostra facilita bastante o contato. Não se sinta envergonhado em ser identificado como turista. E nem tente se disfarçar. Estará escrito em sua testa: “Turista”. Mas procure também não exagerar e vestir-se como as pessoas locais te ajudam a fazer parte do mundo delas.  O melhor é conversar com pessoas que não estão relacionadas com atividades turísticas.

4. As pessoas não são modelos ou objetos à sua disposição!

Após iniciar os contatos com as pessoas locais, certamente você irá querer capturar imagens delas. As pessoas são desconfiadas com quem não conhecem. Apontar uma câmera para elas nem sempre será visto com simpatia. Sorria para elas e cumprimente. Se possível diga algumas palavras como “bom dia”, “por favor”, “obrigado”. Ajuda a quebrar o gelo e elas se sentirão menos “invadidas”. Mostre para elas pelo visor do LED da câmera as fotos que você tomou. Elas irão ganhar confiança e você poderá fazer muito mais registros.

Normalmente os pais não gostam de ver um estranho tirando fotografias de seus filhos. Aproxime-se deles primeiro. Apresente seu cartão de visitas (se tiver um), converse com eles e peça permissão para fazer as fotos. Ao final, seja gentil e envie uma cópia da foto para eles por e-mail. Se prometer isso, cumpra!

Lembre-se: estas pessoas não são modelos ou objetos que estão ali à sua disposição. Se elas dedicam alguns segundos ou minutos do seu tempo para você, ser gentil e verdadeiro com elas é o mínimo que você pode fazer.

Se é um trabalho profissional, é importante que converse mais com elas. Explique porque para você é tão importante ter uma foto delas. Elas se sentirão gratas em te ajudar a cumprir o seu objetivo e fazer parte do seu projeto.

Evite o uso de teleobjetivas para fotografar desconhecidos. Ou aquele zoom  da sua câmera ultra-moderna que te aproxima 400x do objeto. Falarei mais sobre isso num próximo post.

5. Faça back-up de tudo!

Se puder, leve duas câmeras com você. O dobro de cartões de memória, lentes, HD externo, etc. Leve tudo o que puder. Mas não exagere. Para fazer boas fotos você terá que caminhar muito e por lugares menos conhecidos pelos turistas. Então é melhor deixar o seu back-up no hotel. Na volta, não importa o quanto esteja cansado, transfira as imagens da câmera para o computador ou coloque tudo num álbum virtual. Você não irá querer voltar da Toscana sem fotografias para mostrar aos amigos.

Vejam

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 2)

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 3)

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 4)

Márcio Pimenta | Documentary & Travel Photographer

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Peru, portfolio disponível


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Olá a todos(as)!

Já de volta a Santiago do Chile (e me preparando para a próxima viagem), disponibilizei hoje o portfolio da viagem ao Peru: Lima, Paracas, Puno, Lago Titicaca, Cusco, e claro, Machu Picchu.

Vejam o portfolio clicando aqui.

Volto logo com mais novidades.

Peru, um país de muitas etnias


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Notícias da estrada! Peru.

Com mais de 28 milhões de habitantes, a população peruana é de origem multiétnica e possui um alto grau de mestiçagem, incluindo ameríndios, europeus, africanos e asiáticos.

Se não me falhe a memória, o Peru é o país da América Latina com maior número de emigrantes asiáticos, principalmente vindos do Japão.

É quase impossível não se encantar com as crianças. Quase sempre muito tímidas, parecem romper com este comportamento e abrem um sorriso ao notarem que estão sendo fotografadas.

Em breve o album completo com imagens da viagem! O album completo com fotos da viagem ao Peru você já pode ver aqui.

Leia também:

Huacachina, Ica, Peru

Cãozinho Puppy


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Vocês já viram o cãozinho Puppy? Um Terrier gigante que foi “adotado” pelo Museu Guggenheim de Bilbao.

A obra foi feita por Jeff Koons, polémico artista (e ex-marido da Cicciolina!!).

Puppy está construido com uma estrutura de aço coberta por uma enorme variedade de flores. O sistema de irrigação é interno.

Veja mais fotos da Europa clicando aqui.