Medelin, Colômbia. O epicentro mundial da beleza feminina.


Gosto de respirar o ar do país do Bogotazo. Do realismo mágico de Gabo e seus Cem Anos de Solidão, do narcotráfico, do Plano Colômbia, das guerrilhas, dos paramilitares, da estonteante Shakira, da figura do Juan Valdez montado em sua mula e garantindo oferecer o melhor café do mundo, da curiosa e espetacular carne preparada al trapo. 

A Colômbia é como aquele sujeito de olhos sujos e cansados que encontramos no bar. Se lhe dermos a oportunidade de falar ele poderá nos contar que somente no século XIX, seus olhos tiveram que suportar a dor de assistir oito guerras e três golpes de Estado. Caminhou sobre mais de oitenta mil corpos, todos irmãos de sangue, durante a Guerra dos Mil Dias. Como se tudo isso houvesse sido pouco, o novo século ainda lhe aguardava com o período conhecido como a Violência, quando tudo estourou com o Bogotazo, o assasinato do favorito, e popular, candidato presidential, Gaitán, então o que os seus olhos viram foram novas centenas de milhares de mortos.

Do final do século XX, e até hoje, o país luta para acabar com as FARC, Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, e grupos paramilitares. A Colômbia talvez seja o país mais conhecido e desconhecido da América Latina. Sempre presente de forma negativa nos noticiários, o país da “Solidão”, era um desconhecido para o resto do mundo.

E gosto muito de Medelin. Estive lá em 2010. A cidade que apenas uma década atrás, nos tempos do narcotráfico liderado por Pablo Escobar, era conhecida como a cidade mais perigosa do mundo! Uma cidade tão violenta que nem mesmo os militares ousavam penetrar por suas ruas e vielas.

Hoje, Medelin respira e vive em paz. Investimentos pesadíssimos foram feitos para fortalecer as instituições locais, a educação, saúde, cultura e esporte. E tudo isso devolveu a sua população o orgulho e a mobilidade.

Os paisas, como são conhecidos os residentes locais, são pessoas extremamente gentis e sorridentes. As ruas possuem cores e música. Onde antes as transações “comerciais” era encomendar a morte dos inimigos, agora surgem oportunidades de negócios que rendem milhões de dólares aos cofres públicos e benefícios para a população.

Mas mesmo com todos os negócios que a cidade movimenta (Colombiamoda, a maior feira de moda da América Latina, por exemplo), a cidade ainda preserva aquele ar provinciano. Quando você sai do aeroporto logo o táxi irá lhe conduzir por uma estrada belíssima, cercada de muito verde e fazendas. O clima é perfeito. Quente, sem ser sufocante. A cidade da “eterna primavera” se revela localizada num vale. Aqui, é melhor pedir ao táxi para fazer uma breve parada. Pode-se fazer fotos incríveis.

Os colombianos, como se sabe, dançam muito bem. Há muitas opções de lugares para dançar na cidade. Os restaurantes, talvez ainda por reflexo dos tempos do narcotráfico, fecham relativamente cedo.

Não deixem de conhecer o Jardim Botânico. Excelente! Pode-se ainda, ao final do passeio, degustar um ótimo café.

E por falar em café, não deixem de ir a uma das muitas lojas do Café Juan Valdez. Leve um livro, faltamente você irá querer permanecer lá por toda uma tarde. E certamente alguma colombiana irá puxar conversa com você. Elas adoram conversar, sobretudo quando percebem que você é estrangeiro. Nada demais. É o jeito delas. São alegres, divertidas e… lindas! As paisas são sem dúvidas algumas das mulheres mais bonitas do mundo.

O slogan da propaganda turística do país, “o risco é que queira ficar”, faz todo o sentido.

Até hoje me pergunto como consegui voltar de lá.

Veja fotos da Colômbia aqui.