What a Wonderful World


Já caminhei milhares de quilômetros. Pedalei por montanhas e praias. Já naveguei por baías, rios e oceanos. Dirigi velozmente levantando poeira nas estradas de terra.

Já perdi a conta das vezes em que voei sobre o atlântico apenas para ver a beleza das ruínas.

Tudo em nome da beleza. Em nome do desejo.

Nada foi inconsequente. Não finjo amizade para seduzir.

O desejo não apela para golpes baixos. O amor repudia quem seduz por diversão.

Não pode haver pressa. Não posso apressar a mulher, pois poderia esquecê-la.

Não se apressa o amor antes que a semente da paixão se deixe germinar.

O que não é egoísmo e nunca poderá ser carência.

O desejo não é um fim em si mesmo. Isso seria capricho.

Ao torcer um pé, cair montanha abaixo, quase me afogar, machucar-me numa batida de carro, apertar os cintos em uma turbulência, fui deixando para trás o que não fazia parte de mim.

Fui ficando leve como uma cicatriz.

Percebi que meus defeitos revelam minhas virtudes.

Leio sua carta, só para lembrar do calor do seu sorriso, da sua timidez em se revelar bailarina.

A mais pura beleza. A lenta flecha da beleza me atingindo o coração. A beleza mais nobre, que não arrebata, se infiltra.

Do seu olhar que ficou. Da sua voz que não se calou. Dos teus cabelos sendo tocados pela brisa que soprava do oceano enquanto estava sentada olhando a cidade distante.

Da maravilhosa companhia que é.

Da imensa sensibilidade que descreve com imensa ternura o que parece tão trivial a olhos e ouvidos pouco atentos.

Ver o mundo com você, é muito melhor.

Sim, definitivamente, estar com você “What a Wonderful World”.