Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 4)


Praia da Joaquina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Praia da Joaquina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

É tudo subjetivo.

O assunto de uma fotografia não é, por exemplo, uma canoa na lagoa ou duas garotas de biquíni sentadas numa pedra na praia da Joaquina em Florianópolis. Isso apenas faz parte do assunto. Os assuntos de fato são: emoção e amor. O intangível, aquilo que você tenta transmitir através da imagem.

E não é possível ser tímido quando se está fotografando. É como no amor. No amor, não há espaço para a timidez. A mulher se entrega – e se descobre – e conforme a intensidade desta descoberta, irá revelar sua nudez. Suas melhores qualidades e defeitos. E você irá amá-la por isso.

Assim acontece com a fotografia. Os lugares e as pessoas apenas irão se revelar se você também se permitir. Portanto, deixe de lado a timidez, esqueça tudo que não faça parte do seu assunto, ou seja, esqueça aquilo que não lhe traz emoção e que você não ama.

Ver as coisas deste modo transformou completamente a maneira como fotografo. Descobri que não basta se apaixonar, é preciso amar. E não é fácil, pois a paixão facilita o encontro, o amor dificulta.

Não entendo porque os fotógrafos se incomodam tanto que sua arte tenha sido tão popularizada. Que agora, todos postam fotos nas redes sociais em segundos. Seria como um escritor não aceitar que todos soubessem ler e escrever. Seria como um amante não permitir que os demais também provassem do amor. É egoísmo puro. Mas tocar alguém com um texto não é fácil. Amar, muito menos. O mesmo vale para a fotografia.

Certa vez, quando eu estava no museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, parei em frente a uma pintura feita por Modigliani – meu artista predileto. Fiquei observando aquela linda mulher, a paixão da sua vida. Ao meu lado estava uma senhora extremamente elegante. Notava-se que tratava de uma matriarca. Ela então começou a chorar. E balbuciou as seguintes palavras: “Eu tenho dúvidas… estou cheia de dúvidas…”. Era óbvio que aquele quadro representava algo muito forte para ela. Talvez estivesse observando a si mesma, recordando-se de um momento de sua vida em que não teve coragem de viver com seu grande amor ou mesmo memórias de uma filha ou uma amiga. Ou talvez nada disso. Mas a pintura de Modigliani a comovia e ela chorava copiosamente – mas com bastante elegância, claro. Era tudo subjetivo, mas Modigliani a tocou profundamente.

E se você ama fotografar, prepare-se, pois o amor é insaciável, quanto mais você tem, mais irá querer. A única coisa que não devemos temer é o próprio medo. Sim, estou morrendo de medo. Amar, dá trabalho.

Clique aqui para ver a galeria com as primeiras fotos que fiz em Florianópolis.

Vejam também:

Dicas de fotografias de viagens (Parte 1)

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 2)

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 3)

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2 comentarios el “Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 4)

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