Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 3)


Sapatos Vermelhos: Foto: Marcio Pimenta

As vezes é assim, não estamos num bom dia, mesmo quando a culpa não é nossa. Tudo o que parecem desejar é caos em sua vida, quando tudo o que você quer é a sorte de um amor tranquilo, já dizia Cazuza.

Mas isso não existe. As coisas não são assim.

Ainda mais quando aparece alguém que quer impedir de você viver com o seu amor tenta fazer um pacto com o capeta.

Hoje cedo recebi a ligação de um pai-de-santo que conheço lá da Bahia. Ele me disse, “encomendaram trabalho aqui no terreiro contra você”. Fiquei assustado, claro. Nunca chutei macumba. Sei lá, respeito estas coisas.

O pai-de-santo continuou, “Pediram coisa pesada mesmo. Eu até falei para o rapaz, ´Precisa de tudo isso, mizifio?´”. “Tudo pai-de-santo, faça o pacote completo, sem dó, quero tudo”

“Hómi ruim”, pensou o pai-de-santo, mas trabalho é trabalho e ele fez o pacote completo. Me ligou para avisar só por peso na consciência mesmo. “Vamos ver se ele é bom mesmo”, teria dito o contratante com aquela curiosidade sacana depois de pagar ao pai-de-santo pelo trabalho, pedir anonimato e sair de lá com aquele sorriso de garantia e satisfação.

Bom, a tal pessoa não pode reclamar da execução do trabalho. Saí para fazer fotos hoje e deu tudo errado. Cartão de memória que engasgou e não lê e grava nem com reza brava, troquei de cartão e fiquei duas horas frente a uma árvore esperando a melhor luz e um único sujeito que passasse por ela para que eu pudesse fazer uma boa foto, mas mesmo morando numa cidade de 7 milhões de habitantes ninguém quis dar as caras neste domingo e me vi forçado a voltar para casa sem a tal foto, depois disso houve um leve terremoto como que me avisando, “vai para casa, hoje não é o seu dia”.

Mas o tal do contratante não contava que sou persistente. Teimoso. Tinhoso, diria minha avó. Vou até o fim do jeito que dá.

Então sentei debaixo da tal árvore, abri minha garrafinha de água e pensei como a gente sempre está tentando enquadrar tudo, seja no amor ou na fotografia. Queremos tudo na mais perfeita ordem.

Bom, então entendi que as vezes menos é mais. As vezes está tudo lá, mas pensamos que para que tudo saia perfeito falta algum elemento, quando na verdade este tal elemento que esperamos só irá subtrair no impacto da história que queremos contar.

Então é a hora de nos livrarmos das distrações, do sujeito que encomendou o “trabalho”, por exemplo. Esquecer aquilo que não importa. Esta é a arte da fotografia e do amor. Não se deixar se distrair com aquilo que você não controla e simplesmente excluir e focar-se no que realmente importa.

Quando amamos estamos atentos a pessoa amada. Queremos saber mais sobre ela, passar horas conversando, entendendo suas emoções, seus desejos, suas alegrias e dores, aprendendo cada dia mais sobre ela e iremos perceber o quanto ainda há para conhecer quanto mais ela se mostra. E é um circulo vicioso, e delicioso, sem fim.

O mesmo é com a fotografia. Você precisa estar atento à história que se apresenta à sua frente. Quais emoções ela lhe transmite e que você gostaria de passar para outras pessoas. Então você precisa aceitar que algumas coisas você não possui controle e que precisa excluir as distrações que poderiam enviar uma mensagem errada para as demais pessoas.

Então vi a garotinha tímida de sapatos vermelhos. Assustada, não conversava com ninguém, mas queria mostrar-se ao mundo. Sempre na mesma pose, do mesmo jeito. Todas as suas fotografias eram repetições de tudo que já havia feito. Mas calçava os tais sapatos vermelhos. Uma dúvida sobre ela mesma.

Inteligente, sonhadora, apaixonada pelas pessoas e ao mesmo tempo assustada pelas relações que poderia ter com elas. Enfim, uma garotinha de verdade. E foi isso que vi, algo simples, belo e verdadeiro. Nada lhe falta.

Quanto mais você tenta dizer com sua fotografia, maior a chance de você não dizer nada. Escolha o que realmente lhe toca e concentre-se nela. Exclua as distrações e não espere pelo elemento “que falta”.

Não falta nada. Está tudo ali na sua frente. Você só precisa se movimentar. Buscar um ângulo, uma nova perspectiva sobre o tema. Não se preocupe, você só precisa confiar em si mesmo e com o tempo isto irá se tornar intuitivo.

Menos, é mais.

Continue lendo:

Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 1)

Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 2)

Dicas para Fotógrafos de Viagens (Parte 4)

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3 comentarios el “Dicas para fotógrafos de viagens (Parte 3)

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