bailarina


Ela imprime no diálogo um ritmo ao qual ele não está acostumado. Os passos dela buscam a perfeição. Como no ballet. Ela dança com os sorrisos. Faz gestos com as mãos. Fica vermelha. Sorri. Seu corpo denuncia. Ensaia um grand jeté.

Quer ir de um lado a outro. É a dona do palco. Dos festivais. Quer ser dona de si. Bailarinas são como crustáceos. Possuem cores em discretos tons pastéis. Não querem chocar pela aparência, mas sim pelos movimentos. Seus passos são muito óbvios para elas mas desperta curiosidade e fascínio para quem assiste. Quando caminham dão um espetáculo de coreografia. O mundo a sua volta fica mudo para que possa escutar a música que ela dança. Todas as luzes se apagam e um grande refletor ilumina seu caminho para que ele não perca um só gesto. Exceto ela, todos perdem suas cores e se fazem em preto e branco. Ballet é também mímica. Não se conhece uma bailarina se não se sabe interpretar o que o seu corpo diz.

A sensualidade marca presença. Uma sensualidade clássica. Inteligente e capaz de deixar sem ar seu único espectador: ele. Permite que ele se aproxime para que possa mostrar como seus olhos brilham. Como o desenho de seus lábios são convites a um beijo. Se permite ser seduzida. Num salto se distancia. Assustada, não está acostumada a perder o controle sobre seus movimentos. Para ela tudo tem que fazer sentido. Nada vem ao acaso. Uma sequência de movimentos coordenados e contínuos.

Ele já entendeu que para estar próximo a ela tem que ser confortável como os sapatos que ela usa para dançar. Dar atenção total as marcações de suas roupas para que perceba a perfeição de seus movimentos. Hoje, a única forma que ela permite se expor é mostrando sua alma através do ballet.

Música do post:

Violin Concerto No. 1 in A Minor, BWV 1041: I. (Allegro Moderato) – Julia Fischer & Academy of St. Martin in the Fields

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5 comentarios el “bailarina

  1. Pingback: Tweets that mention bailarina « Like a Rolling Stone -- Topsy.com

  2. Lindo, lindo…
    “Ele já entendeu que para estar próximo a ela tem que ser confortável como os sapatos que ela usa para dançar.”

    A mulher dá o tom. A bailarina,além de dar o tom, é a única que ”não tem pereba”, lembra da música? rs

  3. Lindo! Não tem como deixar de se encantar com a leveza calculada da bailarina. Dança boa é aquela que faz a gente querer dançar também, afinal, a bailarina está aqui para inspirar.
    Inspire-se e dançe também.
    Beijos e parabéns pelo belo texto

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