sua companhia


Ela derramava lágrimas sentada num café. De sua mesa, ele observava e queria poder oferecer um lenço. Os mapas sobre a mesa e o dicionário alemão-espanhol acusavam que não falavam a mesma língua. A barreira da linguagem não deveria impedir o conforto. Ficou apenas no desejo.

Elas falavam sobre expectativas e amores perdidos. Sobre quem está longe e reconhece, sobre quem está perto e não nota. Sobre quem passa e não vê. Querem ser notadas em seu íntimo, aquilo que a beleza ofusca. Sobre como apenas desejavam serem desejadas pela alma.

Ela falava sobre não permitir que machuquem seu coração mais uma vez. Queria um seguro. Um contrato social imaginário. Quer o impossível. Somente é possível amar quando nos desarmamos e deixamos o coração e a alma vulneráveis. Do contrário, teremos apenas alguém que também tem medo de sozinho envelhecer.

“Vi muitas coisas em poucos dias”, comentou ele. Viu acima de tudo como o desejo é muitas vezes superficial à intimidade. Muitos querem andar sem camisa pela sala numa clara demonstração de conquista da intimidade mas esquecem de fazer amor matinal. De dizer “te amo” ao despertar na cama alheia, para que um dia seja a cama de dois em um único amor.

Sair para o trabalho com a imagem do sorriso de uma mulher talvez reduzisse a impaciência nos engarrafamentos. Se os olhos são a janela para a alma, despertarem juntos e ficarem minutos olhando-se nos olhos talvez permitisse entender aquela alma feminina.

Música do post

Tão Bem – Lulu Santos

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