timidez


Mulheres tímidas sorriem com o coração. É quando não podem mais se conter. Extravasam. Se devoram. Ficam vermelhas. Se denunciam. Diferente das mulheres extrovertidas. Estas precisam fazer o caminho reverso. Temem que seu caráter expansivo as denunciem. Mas ao mudar isso, já se denunciaram.

Outro dia tomaram um café. Sorrisos, pele vermelha, mãos nos cabelos e muitas outras denúncias. Sabia que se entregava e precisava se proteger. Havia voltado para a carapaça em que se protegia. Tal como um crustáceo. Algo nele a assustava, talvez as cicatrizes fossem perceptíveis no seu tom de voz. Seus sapatos carregam pedras e barro, um mundo completamente diferente para ela. Talvez, ainda, ela estivesse assustada com ela mesma, afinal não parecia ser normal comportar-se fora de seus padrões.

Ele apenas olhava e sorria. Admirava e permitia que ela soubesse disso. E isso a assustava ainda mais. “Melhor parar por aqui”, pensava ela enquanto emitia novos sinais involuntários. Era um jogo que não sabia jogar. Ou pensava que sabia.

Estava acostumada ao cotidiano. Acostumada a ouvir as mesmas músicas ir aos mesmos lugares e falar com as mesmas pessoas. Um mundo tangível, mas irreal, limitado. Como poderia saltar no escuro com um cara que havia acabado de conhecer? Um cara completamente estranho ao seu mundo. Não havia sido a educação que recebeu, não era típico de seu signo, não era normal em seu habitat.

Confundia a instabilidade do não querer com um sentimento novo, desconhecido. O receio de mostrar-se de se expor. Assustá-lo seria uma saída?

“O que nos provoca, nos fascina, nos paralisa”, disse uma mulher tímida na mesa ao lado enquanto escrevo este texto no On The Rocks, em Guarulhos, “mas é que queremos perto de nós”, completou ela.

Música do post:

Wicked Game – Chris Isaak

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8 comentarios el “timidez

  1. Olá Márcio, como vai?

    Limitar – mos aos padrões, da ética, da qual muitas vezes somos condicionados. O que me passa é, como não sentir – se provocado pela arte do pecado, que seduz, que com sua devorocidade que nos deixa com aquela sensação: “o que é mesmo que se passa?”
    Uma fundante para qualquer ser humano, sem nenhuma distinção é não sentir – se a cada dia o regozijo e todo o prazer por este proporcionado.

    Criei um blog educacional, quando puder dê uma palhinha por lá.
    Um abraço Márcio.

    E que belo post…

    • 😉 Os leitores entenderão.

      Até coloquei no Twitter: “E quando o comentário é ainda melhor que o post?” rsrsrsrsrs

      Adorei seu comentário, você captou perfeitamente a idéia por trás do texto.

      Farei a visita sim, agora mesmo!

  2. E eu que sou tímida (sim, sou!) sei disto. Mas não que isso a impeça ela de viver… talvez viva as coisas até com mais intesidade, já que o frio na barriga sempre está rondando.

    rs… é até engraçado de se pensar.

    🙂

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