mirror


Ele se dirige a um encontro e não faz a menor idéia do que o espera. Carregado apenas dos mesmos ideais de sempre e um turbilhão de idéias para serem despejadas. No rádio do carro toca “Little Round Mirrors” e aquele som começa a tomar conta de seu espírito. Toca em seu íntimo. O sinal fica vermelho.

“Esta música é perfeita”, pensa ele. E começa a se alimentar da letra e do ritmo. Olha-se no espelho retrovisor. O ritmo da música é como ele gosta que as coisas aconteçam. Um início doce e leve, para logo surpreender com a intensidade, a inquietude e o desejo infinito. A mensagem que invade e fica. Para nunca mais ir embora. O sentimento que marca naqueles que não são levianos.

Até ali ele estava absolutamente sem chão. Não havia nada que o sustentasse e precisava se segurar em si mesmo. E a música o faz recordar como ele é. Quantas marcas havia deixado até ali. Ninguém havia passado impune. Entendia agora a  incapacidade de alguns em acompanhar o seu ritmo, a sua intensidade. E as perdoava por isso. O desejo de impor novas idéias e pensamentos nem sempre seriam aceitos. Quem queria a tranquilidade e a ausência de ventos que a calmaria oferece não poderia estar com ele, que precisava de ondas que o levassem a novos continentes. Não podia esperar dele o ir e chegar regular do cotidiano. Tinha sede apenas. Era só isso. Tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil de lidar.

O sinal volta a se abrir e ele arranca com o carro. Abre os vidros e sente os ventos soprarem fortemente. É como ele gosta. A música vai se tornando mais intensa. Ele aumenta o volume e logo está enxergando um novo cenário, onde há espelhos que mostram mais que sua imagem, refletem seu coração. Seus pés parecem alcançar degraus mais altos. Altos demais para visões estreitas demais.

Música do post:

Little Round Mirrors – Harvey Danger

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4 comentarios el “mirror

  1. Estou no carro, indo à toda velocidade para o meu mundo. Enquanto avanço na imensidão deserta do asfalto, campos verdejantes e paredes verticais invadem meu olhar. E assim sigo. Avançando sem pestanejar. No rádio toca “The latest trick”de Dire Straits, e as brumas do passado ocultam a velocidade. a estrada, todo o mundo. Estou numa nave espacial, rumo ao espaço e ao infinito, onde a poeira estelar se confunde com o toque das mãos quando as mãos era um mundo. Um mundo de inocência e perfeito demais para superar o tempo e o infinito. Não há nada lá fora, apenas brumas. Tudo que vejo, o espaço sideral de recordações. E assim me aproximo das paredes verticais. O chamado da floresta clama por mim. Salto do carro e olho as paredes verticais. Hora de partir. Avanço lentamente pela selva, subindo em direção a outras alturas. As águas dos rios lavam minhas minhas memórias e os minerais alimentam minha vontade. A velocidade, lentamente, toma conta do meu ser. “Ïn every street” acompanha meu passo. Não sou dor nem cansaço. Apenas uma sombra que avança pelas escarpas. Avança infinitamente. Nada possuo, apenas espírito e vontade. E sem limites. Para sempre, sem limites…

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