Vamos fazer isso, vamos nos apaixonar.
O que escrevo sobre este lugar não valerá muito para você que não esteve lá. Seria como eu descrever a vida e obra de Ernest Hemingway para você. De que importa se você não a leu? Como poderá viver os sentimentos do velho pescador Santiago ao lançar-se sozinho ao mar?
Você já fez amor com uma mulher realmente notável? Quando você faz amor com ela perde o medo de morrer. Mas o máximo que você terá ao ler este texto, será o sentimento vazio do sexo barato, quando nos sentimos superficiais e não conhecemos o amor.
Não me pergunte se este lugar onde estive é mais bonito durante o dia ou a noite. Não se pode escolher quando se a cada instante os sentimentos são diferentes e minhas impressões mudavam com a luz que banhava aquelas águas quentes. Uma bagunça organizada, foi a melhor definição que ouvi sobre o lugar.
Lá haviam alguns poucos turistas, pescadores e marisqueiras. Eram todos como nós, pessoas que bebiam e cantavam. Que deixavam suas pegadas na areia até que a próxima maré apagasse tudo para recomeçar outra vez na próxima vazante.
Tínhamos Sol e também chuva. Era quando caminhávamos sob água doce ou nos reuníamos na casa para contar histórias. A vida, já dizia Gabo, não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.
Eu não tenho nada a dizer sobre aquela praia, exceto que lá você pode se apaixonar. Por ela ou por aquela.
Vamos fazer isso, vamos nos apaixonar.
