A medida certa de todas as coisas

Acendo um cigarro enquanto penso sobre o capítulo que devo escrever. Estou no b_arco, um centro de cultura em São Paulo.
Vejo seus muros pintados em declive e não em simetria com a casa, como penso que deveria ser.
Vejo mais de duzentos livros em minha frente. Escolhi apenas um para folhear.
Caminhando até aqui, vi muitas Mercedes Benz, SUVs e outros veículos exclusivos. Mas prendi meus olhares nos Fuscas e Harley-Davidsons.
Escuto duas belas mulheres falando sobre o fim de seus casamentos. Uma delas esteve por doze anos casada com um judeu. Foi a Jerusalém após o divorcio.
Noto que a pintura do muro sincroniza com a rua. Faz muito mais sentido. Revela a geografia do lugar.
Poderiam existir duzentos mil livros, ainda assim escolheria aquele para folhear. Ter duzentos apenas facilitou a minha busca.
Não importava a exclusividade. Eu buscava beleza e personalidade nos veículos.
O divorcio levou aquela mulher a conhecer o marido mais do que quando estava com ele.
De alguma forma, há uma medida certa para todas as coisas.

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6 pensamientos en “A medida certa de todas as coisas

  1. Giovanna dice:

    Lindo, lindo lindo!
    Tem alegria maior que receber um presente assim? Um texto delicioso, significados, sentidos.
    Carinho desmedido, cadência que abraça, convida.
    Palavras nomes que sábios inventaram para traduzir os afagos.
    beijos

  2. Danita dice:

    Os olhos têm seus centímetros. A línguagem sua métrica. O tempo seus tic tacs. A medida é presumível, etérea, imprecisa sempre. A vida é uma régua onde os risquinhos não param de se mexer. Só para a gente desistir de medir. Beijos da Danita.

  3. Marcela Ortolan dice:

    Excusividade? Talvez só mais uma desculpa para a aventura… Lembrei de uma música: “a medida de amar é amar sem medida”. O comentário da Danita está lindo mesmo!

  4. Angela Senra dice:

    Linda essa sua viagem. Ressonâncias, descobertas. Beijo

  5. NINA FERRAZ dice:

    Fiquei imaginando a fumaça do cigarro flutuando contra os muros assimétricos… A melhor medida é a desmedida. A rua sem saída do B-Arco sempre me conduz a um silêncio, e eu nunca escrevi sobre ela. Foi lá onde conheci meus amigos queridos, escritores talentosos, parceiros daquelas alegrias que vêm de nós e transborda. Lindo seu texto. Até a noite! bjs

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